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sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Sonho que se sonha junto...

Oi, pessoal

Completamos hoje uma semana do dia da nossa estreia. Como o tempo passa rápido, não? Já conversamos bastante sobre toda a profusão de sensações que os dias 23, 24, 25 e 26 nos causaram. Como um registro, deixaremos aqui as mensagens que passamos para vocês na aula de Artes Cênicas desta semana e as fotos do espetáculo de domingo. E como alguém escreveu no mural: “Não estamos tristes porque acabou, mas felizes por ter acontecido...”.

Beijos e abraços!

Gui e Rô.


TEXTO – RÔ:


Foi uma tarde vazia de terça, como nunca nos últimos meses... Também pudera! Tantas semanas juntos, criando, rindo, brigando, repetindo, repetindo, enfim, CRESCENDO. Será que tudo não passou de um sonho? I had a dream, crazy dream... É, um sonho louco, mas uma prova viva da força que pode ter uma coletividade. Nenhuma conquista individual, nenhuma, pode ser mais prazerosa do que o que esse projeto me proporcionou. Por isso é que venho lhes agradecer, pois sem a dedicação e o sentimento que demonstraram por esse projeto, ele não passaria de um trabalho em grupo, comum, “ok”, normal. Mas é claro que não foi comum, foi ESPECIAL, com todas as letras. Tudo ficará guardado para sempre, sem dúvida, com muito carinho neste coração, que até o fim lutará para permanecer jovem. Vocês têm ainda bons anos de juventude (aquela de idade, mesmo) pela frente, porém fica aqui um apelo: vocês vão mudar, crescer, renovar-se (as vocações são mutáveis!); só não se deixem levar pela hipocrisia de uma falsa maturidade que nega aquilo que foi, que pensa que para ser maduro é preciso ridicularizar o seu passado. Sei que isso pode parecer impossível agora, mas com os 10 anos a mais que tenho, posso dizer que em vários momentos somos forçados a adotar uma postura exageradamente responsável e ceder àquela prudência egoísta, que nada arrisca. Vocês renovaram as utopias da minha adolescência e, tenho certeza, das de muitos que lhes assistiram. E se quando tiverem 25 anos não tiverem a oportunidade de conviver com mais de 120 jovens maravilhosos, que pelo menos se lembrem de ouvir a canção que diz: “Não, nada irá neste mundo apagar o desenho que temos aqui” e de seguirem traçando a busca da felicidade.


CANÇÃO – GUI:

If I leave here tomorrow
Would you still remember me?
For I must be travelling on, now,
'Cause there's too many places I've got to see.
But, if I stayed here with you,
Things just couldn't be the same.
'Cause I'm as free as a bird now,
And this bird you can not change.
Lord knows, I can't change.


Errância - espetáculo
25 de outubro de 2009

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Texto da Mô

Atendendo a pedidos, publico o texto maravilhoso e desestabilizador (desestabilizar-se às vezes é muito importante; combate as ideias prontas!) que a Mõ leu para o pessoal do 9º ano ontem, no penúltimo ensaio geral de Errância.

Ponho-me a escrever sobre Errância e desgraçadamente faltam palavras. Talvez por que errância não deva ser definida por palavras, mas sim sentida e como é infinito o modo de sentir, para cada um que assistirá a peça, errância criará uma rede de significados diferentes.

Vocês serão vistos por uma juventude/juventude que vive a primeira explosão dos hormônios, uma juventude/juventude, que um pouco mais velha, que vive a fase do flerte com a desobediência civil, questionando a ordem estabelecida no mundo em que vivemos. Mas além dessa platéia vocês terão seus professores, avós, tios, os funcionários da Escola, alunos do EJA que não são mais tão jovens, mas talvez possam se lembrar das próprias juventudes evocando com carinho momentos vividos ou até mesmo se perdoando de suas possíveis errâncias, que, com certeza, foram muitas. Afinal, só porque erro acerto: me construo. E por fim, na platéia, estarão os pais, ex jovens, que convivem com a explosão da juventude em suas casas. Mamãe, mamãe, não chore. A vida é assim mesmo. Coragem!

Diante dessa diversidade só posso dizer sobre o que Errância causou e causa em mim como platéia, em termos de sensações, sentimentos, lembranças e associações.

Led Zeppelin e a montagem criada pelo Dahia, explodindo na passagem dos créditos, geram uma tremenda expectativa. O que vai rolar nesse palco deve ser muito bom...

Em seguida vem uma infantilidade doce. O sexo oposto ainda não existe. A cara de Tereza parecia uma perna. Feia, boba!!! Mas com meu porquinho da índia exercitei a minha capacidade de cuidar de dar carinho a um objeto amado. Antônia, você ainda é uma lagarta, minha amiguinha querida, mas você será, um dia, uma linda borboleta e quero ficar perto de você. So happy together.

Daí vieram os hormônios, cena engraçada, mas quem viveu ou vive a mudança hormonal sabe que esse caldo químico tira o controle da gente. Pá, pá, pá. O primeiro amor ninguém esquece. Pá, pá, pá. Não me lembrava disso há anos. FOI MEU PRIMO! Ah, mais que noites de sôfrego desejo: esperava um olhar, um sinal de correspondência ao meu amor. Chorava, sofria, sonhava... O que eu faria se ainda não tinha estudado o código do amor? Será que ele era burro? Não sei, nada aconteceu. Mas o primeiro amor, ninguém esquece. Hoje ele não é mais herói da Paramount: dorme no sofá, bebe demais e é um chato e eu também não sou mais uma loira notável. Não nós casamos. Ainda bem...

Novos amores apareceram. Eu preciso dizer que te amo, me dá um medo. Gestos contidos. Será que eu posso ser rejeitada?Afinal, ele é um amigo que confidencia as dores de outros amores. Ai que dor...

Ah, as baladinhas, ensaiava com minhas amigas as coreografias, dançávamos o tempo todo. O objetivo: seduzir aquele garoto. Só ele existia no Universo inteiro. Do outro lado ele e seus amigos também criavam uma dança sedutora e dançavam magicamente... Nós deslizávamos pela pista de dança e nos apaixonávamos ainda mais. Era um rito primitivo que antecedia o encontro.

Romeu e Julieta: o encontro amoroso. Ele me beijava... Não vi mais nada, você era a coisa mais bonita que eu já vi na minha vida, inclusive o porquinho da índia que me deram quando eu tinha 6 anos. O amor vira o mundo de ponta cabeça e, muitas vezes machuca, e a ferida não sara nunca. Odeio você, mas todas essas iras são de amor.

Mas vale a pena? Qualquer maneira de amor vale à pena seja ele por uma pessoa ou por uma causa, uma questão social.

Todos os amores são perigosos, sempre envolvem riscos. Tome cuidado, às vezes o mundo pode ser selvagem.

Muitos da juventude de 68, em diferentes países, pagaram caro por sua desobediência ao dizer: “não me pare, estou me divertindo agora, rompendo com todos os padrões estabelecidos”. Contra o sistema a arma foi a ironia que menosprezava tanto os poderes capitalistas como o socialista. Segundo eles, a polícia, agente repressor dos dois sistemas só teria a função: de fornecer a população “gêneros de primeira necessidade” como fósforos, preservativos e esparadrapos. Essas idéias foram ecoando por galos que, cantando-as, foram tentando tecer o amanhã marcado por manifestações que eclodiam no mundo todo.

Para muitos que observavam a explosão daquela juventude, que defendia a construção de uma nova sociedade, suas reivindicações eram absurdas, impraticáveis. Para outros, as mesmas carregavam idéias generosas, capazes de trazer novas alternativas as formas de viver. As utopias teriam algum valor?

No geral, as famílias, a escola, o Estado, tremeram diante daqueles jovens “desajustados” que gritavam é proibido proibir, nós não vamos aceitar. Seus quereres iam contra todos os poderes. Sofrendo uma dura repressão continuavam gritando: RESISTIRÉ. Mas o que eles queriam? Nem Deus poderia atender aos seus pedidos. Eles só queriam mudar toda a vida encontrando o prazer de começar. Queriam alegria, alegria... É absurdo querer felicidade?

Eles queriam o amanhã, mas a vida é dia a dia. Mamãe, me dei mal na escola. Será que os jovens de hoje nada querem aprender? Será que eles acreditam que a organização da vida que nos é imposta é uma verdade válida para todos os tempos?

1968 poderia acontecer de novamente? Para ser igual, teria que ser diferente. Afinal, modelos não servem, as estações mudaram e talvez o esquecimento, o desligamento da juventude de 68 gere novas forças, novas possibilidades, novas utopias.

Para isso os jovens de hoje terão muito que aprender, muito que andar, muito que viver, muito que aprontar para que possam questionar as chamada formas permanentes da sociedade em que vivem e, quem sabe, encontrar novas formas de atuação na vida e no mundo. Com certeza, nessa trajetória cometerão muitos erros, toparão com muitas pedras no caminho que ninguém tirará da frente. Mas a vida é assim mesmo. A liberdade implica não contarmos mais com a mediação de outros e, agindo por conta própria, erramos para nos construirmos. Só espero que esses jovens não se percam por aí.

Essa foi a Errância, projeto elaborado por dois jovens professores criativos e que acreditam poder transformar o mundo, entendida e sentida por mim, e dada de presente a vocês.

A vocês, esses jovens que estão dando vida a esse projeto, só posso desejar o mesmo o que o Rô e o Gui tão lindamente colocaram no final desse projeto. Que Deus os abençoe e os guardem sempre. E não se esqueçam! A grande força transformadora está no AMOR. Fiquem atentos às possibilidades apresentadas pelo ETERNO DEUS MUDANÇA: questionem, pensem, não se adaptem. Enfim, criem as possibilidades.

SUCESSO PARA TODOS.

BEIJOS

Mô.

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Está chegando...

Oi, pessoal

É absurdo como essa semana está passando rápido... Apesar dos problemas que muitos estamos tendo para comer, dormir, parar de cantar músicas da peça ou encher o saco da mãe/namorada/irmão/irmã/cachorro falando da peça, é preciso ter calma e concentração nessa hora, pois só assim conseguiremos fazer do espetáculo o mais lindo que pudermos!!!

Por enquanto, para baixar a ansiedade, segue um vídeo que o Daniel Dahia fez com as fotos do ensaio geral do último sábado.


Untitled from Apple2All on Vimeo.

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Começou...

Hoje, sexta-feira, dia 4, 17:45, finalmente sentamos. Está terminada a primeira semana de ensaios da peça Errância.

Malucos descalços Móbile afora, som alto na multiuso, teatro, salas pequenas e quentes (também, com 30 pessoas dentro de uma sala!), roteiro na mão, "Onde eu vou agora?", aquecimento vocal, 5, 6, 7, 8... Ah! Cansa! Cansa demais, mas é uma delícia perceber os motores sendo aquecidos!

Coreografias ainda só na ideia, outras já sendo ensaiadas, cenas pensadas, textos decorados, textos ainda sendo decifrados... Enfim! O mais legal foi perceber que já está todo mundo numa "vibe" excelente, bastante adequada a uma peça que vai pôr a(s) juventude(s) em foco.

Ao mesmo tempo que estamos bastante cansados (tarde de terça, tarde de quarta, tarde sexta...), ficamos muito animados com tudo o que vimos e ouvimos!

Em breve (talvez já nesse feriadão!) começarão as cantorias no chuveiro (duuuu...baaa), os passos ensaiados nos dois metros quadrados de uma sala ("Cuidado com a mesinha!!!")... as páginas do roteiro cada vez mais amassadas de tanto ir e vir...

Pretendemos toda semana fazer um relato das sensações dos 7 dias anteriores. É claro que vocês também tiveram (e continuarão tendo) as suas sensações dessa vivência dos ensaios. Quem quiser dividi-las - como nós fizemos -, fique à vontade e deixe seus comentários!!

Beijos e abraços!

Bom feriado!

Gui e Rô.

terça-feira, 16 de junho de 2009

9º ano no TUCA

O texto abaixo foi escrito por Rafael F. Rejtman, um dos cerca de 70 alunos do 9º ano que, na companhia de 50 pais e convidados, assistiram à peça "O fingidor".

No domingo dia 31 de maio, os alunos do 9º ano foram assistir à renomada peça "O fingidor", de Samir Yazbek, no teatro TUCA, em Perdizes. O convite foi feito pelos professores Rogério e Guilherme, que tinham como objetivo que os alunos pudessem presenciar, com qualidade, aquilo que farão no futuro, em sua apresentação de outubro. A ideia dos professores foi um sucesso, e mais da metade dos alunos compraram seus ingressos e se apresentaram, muitos com seus pais, para assistir à peça.

A experiência no Tuca foi ótima, beneficiada ainda mais pelo debate no final com os atores e o diretor.

A peça em si trata de um drama que remonta o caráter de Fernando Pessoa (Hélio Cícero), grande escritor português, e principalmente sua interessnte característica de criar heterônimos para suas obras. A trama é muito bem construída e permite observar claramente as diferentes personalidades dos heterônimos, que na verdade, como o próprio Samir comentou, são diferentes faces de Fernando.

Em uma reflexão pessoal, após o debate e depois de me informar sobre a admiração que Pessoa tinha pela dramaturgia, pude perceber que ATUAR É COMO CRIAR UM HETERÔNIMO CONCRETO E MOMENTÂNEO, e que devemos ser, em nossa apresentação, tão fiéis a nossos personagens, como se eles fosse diferentes faces de nós mesmos.

07/06/09

terça-feira, 9 de junho de 2009

Aqui estou também!

Fiquei muito feliz com a proposta desse blog!

É muito boa a ideia de termos um espaço para acompanhar o que se passa nos processos artísticos criativos da Móbile!

Acho ótima a oportunidade de acompanhar tanto o trabalho do 9º ano do fundamental, quanto do 1º ano do colégio.

Espero conseguir colaborar postando semanários e/ou comentários após nossos ensaios gerais (do segundo semestre)... Não sei, veremos... Achei também muito bacana o espaço ser aberto para comentários dos leitores (não sei se é sempre assim, mas é ótimo). É sempre bom ter um feedback do que se pensa/faz/escreve, enfim...

Disfrutemos todos desse fórum artístico!
Thats all folks!
Gui Yazbek.