Para embasar a pesquisa, que foi realizada ao longo de março de 2009, os alunos leram o livro 12 faces do preconceito, organizado por Jaime Pinsky, e participaram de diversas discussões em sala de aula.
Na avaliação bimestral, uma questão colocou em xeque a compreensão que a turma tem da importância da montagem da qual estão participando:
Leia o depoimento a seguir:
“Tive a sorte de saber que meu pai era gay antes de conhecer a homofobia. O preconceito é algo que se aprende e, aos 5 anos, eu não havia aprendido.” (Abigail Garner, escritora norte-americana cujo pai biológico decidiu viver com outro homem quando ela tinha 5 anos.)
Tendo como base a premissa defendida pela escritora Abigail Garner, segundo a qual o preconceito é aprendido ao longo de nossa vida, por meio da convivência com pessoas preconceituosas, da generalização de fatos e atos isolados e da contribuição da mídia, ele pode também ser esquecido e combatido.
“Temos de nos arrepender nessa geração não tanto pelas más ações das pessoas más, mas pelo silêncio assustador das pessoas boas.” (Martin Luther King)
O artista parece ser um dos responsáveis por quebrar o “silêncio assustador”, sobre o qual fala Luther King. Observe então as imagens a seguir:

Encontro (1924) - Lasar Segall

In: Retratos de crianças do êxodo (2000) - Sebastião Salgado
Leia o fragmento da canção “Ebony and Ivory”, de Paul McCartney e Stevie Wonder, e faça o que se pede:
Ebony and ivory Ébano e marfim
Live together in perfect harmony Vivem juntos em perfeita harmonia
Side by side on my piano keyboard Lado a lado no teclado de meu piano
Oh Lord, why don't we ? Deus, por que nós não podemos?
Utilizando os exemplos citados anteriormente e a sua experiência como espectador, explique de que maneira uma produção artística pode combater o preconceito. Como a arte se diferencia de abordagens como a jornalística, a científica etc.?
Segue uma coletânea de respostas obtidas na avaliação:
Ana Cecília Viegas Madesi
A arte se diferencia de abordagens como a jornalística, a científica, etc., pois ela passa para o leitor a exata mensagem que deve ser transmitida. A arte humaniza as pessoas através de suas cores, formas, interpretações, sons e imagens. Diferentemente das outras abordagens, uma produção artística consegue comover o espectador através de fatos corriqueiros, de atividades que todos podem realizar em seu dia-a-dia. Assim, pode-se dizer que a produção artística pode combater o preconceito, pois ela “poetiza” as pessoas e os ocorridos; ela, através de suas características e conteúdos, transforma o mundo em belo, comovendo ou não seus espectadores e ensinando-lhes uma crítica do mundo em que vivemos, que é influenciado pelos nossos atos.
A arte se diferencia de abordagens como a jornalística, a científica, etc., pois ela passa para o leitor a exata mensagem que deve ser transmitida. A arte humaniza as pessoas através de suas cores, formas, interpretações, sons e imagens. Diferentemente das outras abordagens, uma produção artística consegue comover o espectador através de fatos corriqueiros, de atividades que todos podem realizar em seu dia-a-dia. Assim, pode-se dizer que a produção artística pode combater o preconceito, pois ela “poetiza” as pessoas e os ocorridos; ela, através de suas características e conteúdos, transforma o mundo em belo, comovendo ou não seus espectadores e ensinando-lhes uma crítica do mundo em que vivemos, que é influenciado pelos nossos atos.
Daniela Dauar
Uma produção artística pode combater o preconceito mostrando seu ponto de vista (do pintor etc.) e sua indignação, provocando assim um sentimento de culpa e angústia nas pessoas.
A diferença entre a arte e uma abordagem jornalística é a maneira de como a mensagem chega às pessoas. Na arte, na maioria, não é usado o recurso verbal, somente o visual; já no jornalístico é o contrário. Além do fato de que, para mim, essa mensagem chega de uma maneira mais realista através da arte.
Daniela Lewinski
A arte nos sensibiliza e nos ajuda a ver o mundo de outra maneira, com outros olhos. Assim, a arte pode usar essa função humanizadora e sensibilizadora para ensinar que o preconceito é ruim e que devemos combatê-lo.
O jornal e a ciência não têm essa função humanizadora, simplesmente contam fatos, então é mais fácil que a arte combata o preconceito do que os meios jornalísticos e científicos.
Denise Hamada
A produção artística pode combater o preconceito da seguinte maneira: através de obras, músicas, filmes e livros, pode conscientizar as pessoas e fazê-las “mudar de lado”, pois ela toca em pontos sensíveis e nos emociona, fazem a gente querer fazer o bem. A arte se diferencia de abordagens como a jornalística etc., pois é mais humana, não é seca como as outras abordagens, parece que tem sentimentos.
Fabiana de Morais Basso
A arte mexe com os sentimentos. Este é o ponto que diferencia tanto a arte das outras abordagens, como a jornalística, a científica etc.
Como a arte faz as pessoas sentirem, elas começam a ter outro ponto de vista sobre o preconceito, podendo, assim, combatê-lo.
Fernando Haddad
A produção artística pode ajudar a combater o preconceito, pois ela tem a capacidade de mostrar às pessoas novos pensamentos e novas atitudes. Como a arte pode refletir o pensamento de cada um, ela se diferencia das abordagens jornalísticas e científicas, que são exatas.
Flávia Gonzaga
A arte explora os sentimentos, e o que é o preconceito senão um sentimento? Sendo assim, o que melhor para combatê-lo do que a arte? O preconceito é irracional, não há como explicá-lo. Portanto, é praticamente inútil combatê-lo com meios tão racionais e explicativos como os meios jornalísticos e científicos.
Flavia Ramos Povillies
A arte é uma grande influência para muitas pessoas.
Quando assistimos a uma peça, por exemplo, refletimos e aprendemos mais sobre o assunto tratado, seja qual for.
Uma peça ou produção artística pode combater o preconceito pois faz com que as pessoas pensem mais sobre o assunto tratado.
Nesse aspecto, a arte se diferencia das abordagens científicas e jornalísticas porque é mais subjetiva, e é compreendida de diferentes modos por cada pessoa.
Gabriela Bueno dos Santos
Uma produção artística pode combater o preconceito sensibilizando as pessoas de que esse ato é algo desnecessário e que é possível viver sem o preconceito. Um exemplo é a música de Paul McCartney e Stevie Wonder, onde os autores fazem um metáfora com as teclas do piano, que são brancas e pretas, com o preconceito, questionando o fato de eles conviverem juntos sem problemas, e os humanos não. A arte se diferencia de abordagens como a jornalística e a científica, por exemplo, pelo fato de ela trabalhar com outros recursos, sem ser a linguagem falada somente, e conseguir provocar sentimentos nas pessoas. A arte é algo mais irracional do que as linguagens jornalísticas e científicas, que são mais racionais.
Gabriela Curi Menegatti
Uma produção artística pode combater o preconceito mostrando como isso afeta as pessoas, mostrando ao público as consequências devastadoras desse ato; pode combater o preconceito por meio de uma peça, ensinando e mostrando ao público que é possível combater o preconceito e viver em paz com todas as diferenças. A arte se diferencia de abordagens como a jornalística e a científica, pois, diferente dessas, em que os fatos são mostrados ao público, a arte dá a ele a chance de ele próprio provar esses fatos; a arte “toca” o público, sensibiliza-o, mexe com as suas emoções fazendo-o enxergar as coisas e a vida com outros olhos, outras perspectivas.
Giulia Porro Turcato
Uma produção artística pode combater o preconceito quando esta aborda situações sendo superadas, pessoas convivendo juntas em harmonia, etc. Tudo isso é mostrado pelas cenas, sentimentos das personagens (se for teatro) e expressões, e elas acabam mostrando “como deveríamos agir” em relação a esse assunto, fazendo uma crítica. A arte, diferentemente de abordagens como a jornalística, a científica etc., é capaz de passar mensagens mais fortes, que se relacionam mesmo com as pessoas por meio dos sentimentos.
Isabella Giordano
Uma produção artística é capaz de proporcionar diversas visões sobre algo real; no entanto, a arte em si deve, antes de representar algo, ser aceita. Assim como ela é aceita pelas pessoas, as pessoas devem se aceitar, por isso a arte não exprime o preconceito, é capaz de combatê-lo. Isso é um fator que diferencia a arte de abordagens jornalísticas, científicas etc. Como diz Abigail Garner, “o preconceito é algo que se aprende”, e a arte, sendo um instrumento sutil, crítico, avassalador, intenso, ou o que for, é fundamental para “desaprender”, pois com ela enxergamos que não há certo e errado, e que ações preconceituosas se excluem dela.
Isabella Sant’Anna
Uma produção artística pode combater o preconceito de forma que, ao opinar sobre o preconceito, coloca na cabeça das pessoas o lado ruim dessa prática. A produção artística influencia o pensamento das pessoas e pode ensinar a humanidade a combater o preconceito na prática. A arte se diferencia de abordagens como a jornalística e científica etc. de forma que ela lida com os sentimentos e não só com fatos; ela trata do que as pessoas estão sentido.
Julia Di Creddo Oliveira
A arte é algo que mexe com nossos sentimentos. Não é um monte de informações que são enfiadas em nosso cérebro. A arte delicada e sutilmente nos transmite informações que são passadas para o coração. Por isso ela pode ter um poder de persuasão maior que os jornais e textos científicos. Se vemos a imagem de uma criança chorando sobre o corpo dos pais numa guerra, nós nos sentimos mais sensibilizados do que se simplesmente ouvirmos o número de mortos.
Laura Halker Silva
A arte, diferente de abordagens jornalísticas, científicas etc. aborda algum assunto de forma indireta, crítica, algo através de imagens, sons, palavras, diferente de algo concreto, escrito e direto.
A arte mexe com o sentimento da pessoa, pois a faz refletir e pensar no que o artista quis representar.
A arte pode combater o preconceito, abordando-o em mínimas coisas; o espectador consegue parar, pensar e refletir e aprender com essa arte.
Ligia Cohen
A arte, em qualquer forma (teatro, cinema, literatura, artes plásticas etc.), tem como objetivo sensibilizar as pessoas. A arte se diferencia de abordagens jornalística ou científica pelo fato de que esses outros tipos de abordagem têm como único objetivo informar. A arte tem, como principal objetivo, aflorar os sentimentos das pessoas, tornando mais fácil a ideia de mudar os ideais das pessoas.
Lucas Lara
A arte se diferencia de abordagem jornalística e científica pois todas as pessoas, de todas as classes sociais, conseguem entendê-la. Por exemplo: é fácil reconhecer o amor entre as duas personagens do quadro “Encontro”. Isso faz com que as pessoas entendam facilmente que é possível a convivência harmoniosa de pessoas “diferentes”.
Luciana Ting
A arte, diferentemente do jornalismo e da área científica, é mais eficaz contra o combate do preconceito. Isso ocorre pois ela traz sensações e emoções, fazendo o espectador, leitor ou ouvinte pensar no assunto abordado pelos artistas. Nesse caso, esse assunto é o preconceito. Como no quadro de Lasar Segal e na canção “Ebony and Ivory”, de Paul McCartney (branco) e Stevie Wonder (negro), há uma crítica à sociedade. Ambas as produções mostram que, por exemplo, negros e brancos podem viver sem o racismo.
Luís Otávio Ferreira
Diferentemente do jornalismo e da ciência, a arte “mexe” com as pessoas, provocando sentimentos e propondo reflexões. Isso faz com que a arte seja muito mais profunda e eficiente na hora de combater o preconceito e o racismo.
Além disso, muitas vezes a arte é mais universal, pois consegue atingir uma parcela maior da população. A música, em especial, é muito eficaz neste aspecto, além de ser de fácil entendimento na maioria das vezes.
Luisa Silveira
A arte (produção artística) pode combater o preconceito, sensibilizando as pessoas, fazendo-as sentir. Isso ocorre, por exemplo, no retrato de Sebastião Salgado.
A produção artística também pode conscientizar as pessoas de que o preconceito só existe na cabeça do homem, e não no mundo natural, onde pretos e brancos convivem em harmonia, como pode ser visto no canção “Ebony and Ivory”, de Paul McCartney e Stevie Wonder.
A arte, contudo, se diferencia de abordagens jornalísticas e científicas, por exemplo, pois não quer apenas informar ou transmitir conhecimentos para as pessoas. Quer também mostrar, para elas, outros mundos, o que é mais efetivo para sensibilizar as pessoas e fazê-las mudar de comportamento.
Luiza Plastino
A arte promove aos seres humanos a capacidade de sentir emoções (boas e ruins). A arte não apenas aborda um fato como os gêneros jornalístico, científico e outros. A arte mobiliza pessoas, reflete um pensamento crítico que tem como objetivo fazer o ser humano sentir e enxergar além das diferenças e dividir um problema pelo qual devemos lutar. A arte não tem preconceitos, emociona a todos e ultrapassa os limites do que é considerado certo ou errado por meio da pintura (por exemplo), como é o caso do quadro de Lasar Segal.
Luiza Schuch
A arte pode combater o preconceito, pois mexe com os sentimentos, e o preconceito é uma aversão irracional. Com a arte é possível “abrir os olhos” do espectador sobre um ponto de vista fechado e não refletido ao espectador. O teatro consegue penetrar nas pessoas de uma forma mais descontraída, mais suave, deixando na pessoa que assiste uma “pulga atrás do orelha” e podendo causar mudanças, porque a pessoa passará a refletir a partir daí.
Mariana Hyppólito
A arte se diferencia de abordagens jornalísticas e científicas de tal forma a mexer com o emocional. Para a arte, a razão não tem a mesma importância da emoção, e é esta que faz com que as obras (como os exemplos anteriores – a música, o quadro) provoquem sentimentos nas pessoas. Assim, ao provocar sentimentos, as pessoas se comovem, refletem e se imaginam na situação, o que pode fazê-las mudar de ideia e, por exemplo, acabar, com o preconceito.
Mariana Mota Kertzman
A arte tem como objetivo emocionar, diferentemente dos jornais, que têm como objetivo informar e, assim, tornar as pessoas mais humanas, porque o que nos diferencia dos animais irracionais é o fato de sentirmos emoção, não agirmos somente por instinto, agirmos por uma combinação de razão e emoção, e quanto mais temos contato com a arte, mais variadas nossas emoções. O preconceito é algo com o que não nascemos, nós aprendemos. O papel da arte é nos sensibilizar em relação a isso e nos mostrar como o preconceito é algo sem sentido e ridículo.
Marina de São José Santos
Uma produção artística pode combater o preconceito, pois mexe com as nossas emoções. Pode nos conscientizar do mal que o preconceito causa, e nos fazer mudar nossas ações e modo de pensar.
A arte se diferencia de abordagens como a jornalística, a científica etc., pois emociona as pessoas, nos torna “humanos”.
Tatiane Martins
Uma produção artística possui a capacidade de combater o preconceito, pois causa no homem EMOÇÕES, traz ao homem o BELO. Emoções das quais o ser pode possuir um certo distanciamento no cotidiano, como a solidariedade, a compaixão e o sentimento de igualdade em relação ao outro. Proporcionando a ele um olhar sobre a vida mais amplo; logo, um olhar mais amplo sobre as pessoas que leva à sepultura o preconceito.
Esse caráter de provocar emoções no homem é a característica que diferencia a produção artística da jornalística, da científica; o PODER de proporcionar o BELO.
O trabalho desenvolvido pelos alunos do primeiro ano do Ensino Médio da Móbile, coordenados pela professora Bia, está impecável. Parabéns a todos!
ResponderExcluirDe fato, mais importante do que a apresentação final das músicas é a discussão desse tema tão polêmico.
A reflexão é papel fundamental da arte!!!! A arte como reflexão e a filosofia como expressão são meios ou fins fundamentais pra nossa formação como humanos!!!!! Parabéns a todos que se lançam nessa jornada.
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